domingo, 27 de setembro de 2009

...Minha (re) Volta...

...Estava sentada, pensando em tudo aquilo que nunca teve coragem de falar, como se desde o dia que nasceu, já houvesse um decreto: "Coragem não é um trajeto do seu destino, meu bem!"

...Olhar para o tempo, como quem olhasse para o mundo estando numa prisão radicalizada numa ilha...

...não entendo fetiches com ilhas...são belas, mas quando povoadas, confortáveis, cheias de recursos para que possamos por meios avançados admirar a beleza da natureza...humpf...a palavra ilha só me lembra solidão...solidez,dureza, o avião caindo e eu sobrevivendo, como se estar vivo alí fosse a melhor coisa que aconteceu em comparação aos mortos...(lembrando que seus espíritos já estão numa aconchegante caminha, e se não estão, pelo menos mudaram de realidade,bahhh)ilha só me lembra dificuldade e a chegada da dura reflexão de que de fato nada era pior do que estar agora alí, naquela enormidade te engolindo, sem lençóis limpos com amaciante, almoço e jantar na mesa...ducha quente, e um bom mp3, 4, enfim, para ouvir música...

...a natureza é maliciosa, ela não distrai como a nossa tecnologia digital, tsc tsc, ela traciona você na racionalidade...a ilha não é conto de fadas meu bem, ela é dura, consistente, e docemente cruel, encantadoramente disciplinante...urrum!!!! Depois que "dominamos" a natureza, não espere que ela tenha compaixão...

...Ser hipócrita é lindo...quase toco nos seus pensamentos julgando-me materialista...é lindo enganar...e é tão lindo, que a coragem me falta, é tão lindo, que abdico do bem estar existencial, para ser bonita, dizer só as coisas certas...pra quê coragem de falar, quando não falar, e engolir cheia de classe me faz linda...inteligente, educada, eficiente...e o melhor: equilibrada!!!!

Gritemos: "Tudo que eu queria agora era estar sozinha numa ilha deserta"

Me mijo*** Ops!Toillet!hahaha

Ora meus moços...a beleza mora no mau-estar!!!Clap Clap Clap para todos nós...

...e eu olhando o tempo!

E.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

"O parto"

Fui prematura, minha mãe conta que lembra-se muito bem do dia em que foi fecundada, etava assistindo a um documentário sobre a escola brasileira...e lá, avistou numa das entrevistas, uma bela jovem...muito bela, tão bela que a luz parecia raiar com seu olhar cabisbaixo, seu rosto era de uma poesia...e lá, algumas coisas que escreveu foram mostradas...coisas de poemas...e tudo muito muito brilhante, numa angústia que precisava nascer...precisava florir...


Neste dia, minha mãe, ainda universitária, compartilhava este filme com sua turma de pedagogia...e num estalo, percebeu que talvez aquela jovem, não alcançasse sucessos nas primaveras...e constatar que uma poetisa tão jovem fosse impedida de florir, era tão doloroso, mas tão doloroso...e em meio a caras feias de minha mãe que achava tudo tão doloroso, mas tão doloroso,que PLUFT!!!Fecundei o óvulo...e neste exato momento ela sabia, que não tinha mais jeito, alguma coisa estava acontecendo...não sabia ao certo o que, mas sabia que nasceria uma criança...e esta não poderia ser mais uma Tereza...


"Isabeeeeeeeaaaaaaaau", gritou mamãe...e lá ia eu habitar suas idéias para serem descritas nos papéis...minha cronologia, optou mãmae, por ser confusa...perguntei mais uma vez o porque disso...e ela respondeu sem pestanejar: Filha, a beleza não pode mais ser fundamentada nas proporções das coisas.

Naquele momento ví, que mamãe realmente era Maria, que amava um Jesus muito diferente do habitual...mas que seu amor...era de Maria...e minha missão, maior do que eu esperava.

Nascí, mas saltearei toda parte da infância por Ora...já que nem sempre serei eu a contar minha própria história...começarei pela parte que mais gosto...a salvação da jovem poetisa...


Sempre fui uma menina calma, mas por dentro vulcões pareciam brotar de minuto em minuto...uma força, uma coisa, uma vontade de sair pelo mundo apontando o dedo na cara das pessoas. Não imagino muito bem o porque disso tudo, confesso até que me punia demais por perceber que nem todos sentiam o mesmo, e quando pareciam sentir, apontavam o dedo na cara, por motivos tão chulos, que não me assemelhava com pessoas, mas sim, com animais, sobretudo gatos...


Olhava pra eles, com aquele ar de "tira a mão de mim", e me chocava com meus próprios sentimentos...havia dias que eu acordava meio iguana, apática, de passos compassados, lenta e amarga por ser retirada do meu Canion pra afirmar a modernidade e a exibicionismo excêntrico das pessoas. Sempre imagino iguanas, cheias de farpas venenosas, prontas para serem atiradas certeiramente nos olhos dos outros...e acho isso belíssimo...desta forma, ninguém cataria uma para enfeitar sua cabana. Vejo beleza nisso..."gosto de brincar , meus amigos, de ver beleza nas coisas"...

sábado, 1 de novembro de 2008

"o nascimento"

OLÁ...Boa noite,

Sei que quando ler este primeiro verso desta enorme epopéia, pode não ser noite, mas aqui é, sempre é...pois as palavras sempre fluem melhor nas noites. Chamo-me Isabeau, um nome francês, que quando lido fielmente em português, não soa nada humano. Ouví, certa vez que parecia com marca de moto, imagina...A pronúncia correta é "Isabô", como se houvesse um acento circunflexo no "o".

Na verdade sou um personagem, que se chamaria Tereza, mas como já haviam muitas Terezas nascidas da cabeça de minha mãe, resolveu-me batizar com um nome mais quente. O termo "nome quente" parece muito lascivo, eu sei, mas ela me disse que era quente no sentido de acolhimento, e Isabeau, a fazia sentir como o próprio nascer do sol. Era a sensação de que todos os seres que dormiam, agora despertassem, ouvindo os pássaros novamente tornarem o dia inacreditável...

Emocionei-me...e a partir de então, passei a querer me chamar nenhum outro nome senão Isabeau, pois percebí que só este nome me explicaria...só ele.

Nasci, bom...não sei ao certo onde nasci, ela queria me nascer na Inglaterra, ou em Buenos Aires. Mas é bem verdade que guarda dentro de si a vontade grande de ser mais brasileira do que já é...e por isso fez-me ser gerada aqui, por uma familia pobre, da favela das quinquilharias. Perguntei quanto ao porque de nascer-me numa favela, já que podia eu vir em berço de ouro e salvar o mundo...ela calou-se, mas disse depois por um bilhetinho, que não respondeu por não saber a resposta...afinal não tinha nada a ver com a lógica de Jesus Cristo, essa coisa de que para salvar o mundo há de ser-se pobre...Não...ela simplesmente não sabia, e precisava ser fiel a sua angústia...a angústia de me parir...e então eu era isso...resultado de um infortúnio psicológico...produto de uma inquietação constante...concentrado de um latejo espiritual...que só pararia depois do parto...



Fui prematura,

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Guetificados

olhos fechados

sinto o cólera que invade a humanidade

olhos doentis

vidrados numa porcelana amarelada fria

percepção desanimadade uma desorientação embriagada

hemorragias que escorrem nos filetes(machucados,profundos)

que causam febris culpas

e vive-se numa esquizofrenia

minha esclerose múltipla

salve a anorexia ideológica que se recusa a engolir preconceitos

que vomita todo encarceramento aidético

das minorias amantes de si mesmas

vocês adoecem as crianças

crucificam os bêbados,enlepreiam os cães e nutrem os piolhos dos pombos urbanos e perdidos

repito...vocês adoecem as crianças

e as mortificam à monstruosidade sociológica

nós...pobres borboletas de asas podadas e alegria trancafiada e contida

...salvamos nossos mundos poéticos e saudáveis...lindos e secretos

Sem repartições públicas e manuais de comportamento amoroso

somos os últimos militantes

e os primeiros esperançosos

de uma rima que tá dentro

e uma disritmia que tá no caos dos ossos.


( É ruim, eu sei...mas assim...eu era uma larva ideológica...rsrsrs ¬¬ 09/02/05)

sábado, 11 de outubro de 2008

...devaneios...



A internet é de fato uma mágica apaziguadora de depressões...Só apaziguadora, porque creio que nada seja resolutivo para as depressões, a não ser nosso próprio emputecimento. Desculpe a boca suja, nem vou entrar no mérito de ressaltar a importância do palavrão na vida social. Acho bobeira darmos tanto mérito ao palavrão e desprezarmos todas as outras palavras, não sei, mas isto me soa meio antidemocrático, já que na maioria das vezes, percebo que os indivíduos que assim se comportam [ enaltecendo intelectualmente os palavrões], almejam uma vaga nas minorias transgressoras, visto que ser diferente nesta contemporaneidade, é genuíno e existencialmente excitante...o que me faz notar...um certo crescimento das minorias...tsc tsc tsc

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dança do vinho...no coração!!!

...esta sensação de todos os dias reconquistá-la...


me impetua a querer amá-la mais e mais...


para que cada reconquista seja única daquele momento...


numa tentativa de crescente superação numérica, coleção de tua divindade...na minha pequenitude...


guardando inúmeras ocasiões de ti no meu enorme relicário, que há tanto tempo se ocupa alegremente do "buscar a tê-la"...


da melhor forma possível...


...tanto tempo parece um presente...e mesmo que o início de tudo tenha sido nada reproducente aos olhos das ações concretas e mundanas...


...aqui dentro...


espiritual...


ahhhhhhhh aqui... só você dançava,


e dançava e dançava...


não sei se pra mim...mas dançava e dançava e dançava...




E.

sábado, 4 de outubro de 2008

Morte à morte do amor díspare...

...me declaro todos os dias pra alguémque sonhei não existir


e quando menos esperei...lá estava ela...


real...nada imaginária...


...sorrí timidamente e acenei


...e voltei meu rosto para o destino questionando o que seria essa peça mal pregada...


...ele não respondeu...simplesmente volatilizou-se...



E ela estava lá paradinha, me olhando, me chamando com os cabelos esvoaçantes que vez em quando lhe invadiam a boca...



...e eu simulava um pedido de espera...



com os dedos baixos...



...e me voltava para a existência...cobrando uma resposta...





_ ...ora!!!Mas não era com amor que você sonhava?Não era ao amor que dedicava suas declarações??



E eu:



_ Sim, mas o amor é dúbio e díspare...no mesmo momento que ele surge...é a mesma triste ocasião que ele sucumbe...



...e lá fui eu...em direção àquela bela...matar o amor...que levei tanto tempo pra construir...




E.